A paisagem.. os sons.. o gosto.. o toque.. que cada situação, objeto ou ser humano te ocasiona?
Porque sempre uso perguntas no começo dos texto? Não sei, mas gosto de perguntas, nos faz refletir.
Cheguei exausta do trabalho, mas não fisicamente, a minha mente estava pesada, meu coração queria sair para fora e eu precisava muito voltar a suar. Tirei os tênis de corrida do armário, quase puder ouvir eles gritarem de gratidão, coloquei o calção e o moletom confortante, o clima estava agradável, nem tão quente nem tão frio, o moletom era perfeito para começar a correr no sereno da noite.
Coloquei os fones no ouvido e então pude apreciar repetidamente por toda a corrida a musica " Total Eclipse of the Heart" de Bonnie Tyler, alonguei como se deve sempre alongar, olhei para meu percurso.. para aquele grande campo verde.. e para a pista de corrida em volta dele, comecei com passos lentos, estava escuro e quase não enxergava o chão, acelerei o passo e levemente comecei a corrida. Parecia que corria em busca do meu "eu" queria eu ter um gravador nessa hora e folego também, para poder gravar tudo que estava se passando em meu pensamento.
Na primeira volta me encontro com um quero-quero (acho que estava protegendo algum ninho), eu parei e ele atravessou em minha frente como se fosse salvar seus filhotes, dei passos bem largos para fugir dele, não sei quem teve mais medo nessa hora, se foi eu (acho mais provável) ou o pobre bichano, na segunda volta já estava preparada para passar um pouco mais longe, na terceira volta foi automático, da quarta em diante eu o cumprimentava.
Corri, suei, refleti, chorei.. eu vi o dia se despedindo como se agradecesse por eu ter ido o aproveitar.
No fim da corrida sentei sobre a arquibancada vazia, e pensei sobre como ali já passara varias emoções, seja da gincana perdida do colégio, ou a partida ganha do campeonato, ou simplesmente do primeiro beijo que ali acontecera. Sentada, com o capuz do moletom na cabeça, abraçando as pernas e olhando para aquela paisagem intacta do campo em minha frente, não mexia nem com o vento, foi como se o tempo parasse, foi como se fosse apenas uma foto em minha frente, sensação estranha e muito boa, não passaria por isso se não tirasse aquele tênis velho do armário, e foi então que pensei, valeu a pena.
As vezes fazemos algumas coisas por uma intenção e no final acabamos tomados por surpresas boas, decidi correr para perder peso, entrar em forma e então percebi que não foi pelas quilogramas perdidas que eu estava ali, mas sim para ter tido aquela visão, aquela reflexão, aquela gratidão pelo dia e pela paz da qual precisava.
Nos sentimos tão sujos as vezes, e parece impossível tirar toda a lama, mas acredite, faça coisas que te fazem bem, e tudo se ajeitara, prefiro ter fé nisso, do que achar que estou perdida.
Correr em círculos é uma corrida infinita, você não chega a lugar nenhum, mas as vezes você precisa correr.. para ter certeza disso.
Tenha a coragem de aprender com o seu erro.